Powered By Blogger

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Eu e o Macaco

Em meados do século XIX, quando Darwin publicou o seu intemporal “A origem das Espécies”, muitos jornalistas, críticos e essencialmente membros do clero, rapidamente inventaram uma definição jocosa a fim de refutar a sua teoria. “men from monkeys”. Esqueceram-se porém, que aquele século e parte do antecedente fora denominado por Iluminista, ou o século da Luzes. Apesar de ser uma era muito fervilhante de novas invenções, de novos horizontes, grande parte do poder da época, detido pela sempre casta Igreja, recusava-se a ver, mesmo com tanta luz aquilo que Darwin apregoava. A teoria de Darwin não queria de forma alguma comparar-nos com os animais, pelo contrário, afirmava comprovadamente os quão diferentes somos dos mesmos.

Nota-se ao longo dos séculos, o mesmo problema, sempre que a sociedade trás à ribalta um tema que interfira com as verdades sofistas da Igreja. Recusam-se peremptoriamente a analisar racional e metodicamente tudo aquilo que vá contra as suas ardilosas verdades. Tenho pessoalmente a ideia, que a Igreja, seja ela qual for, nos contou a maior mentira e mais aceite por todos desde sempre, a religião. A igreja fomentou a escravidão, o saque, a igreja queimou, censurou, mandou abater milhares de vidas por não se enquadrarem nos seus ensinamentos. E agora, actualmente, apelidaram de anormais, aqueles que manifestam a sua sexualidade pelo mesmo género. Não sendo eu um apaixonado por pessoas do meu género, não deixo de me espantar por tal ideia. Que legitimidade tem esses mentecaptos para proferirem tais bacoradas? A igreja tem um passado ignominioso, pútrido, rodeado de Cardeais Cerejeira, e continua a distribuir água benta pura pela cabecinha do povinho. Ironicamente, a Igreja que nos apelidou de macacos, vê-se agora abraços com um dilema digno de meditação. Éramos macacos, já não somos, mas se formos homossexuais somos anormais. Como eles não são nada dessas práticas físicas e morais, então são macacos. È tudo uma questão de semântica, mas os nossos colegas primatas, sentir-se-ão ofendidos com tal comparação. Mas concluo que prefiro ser um macaco ou um anormal, a ser um devoto “normal” desprovido de livre arbítrio. Consequentemente, faço questão que não haja para mim lugar na Arca, mesmo apesar de nadar mal, terei sempre algum anormal que me dê a mão.

Sem comentários:

Enviar um comentário