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quinta-feira, 12 de março de 2009

2103

Acordei hoje, olhei para o relógio atómico e este indicou-me que se está a findar mais um período galáctico. Àqueles que professavam o fim da humanidade em 2000 e os outros que diziam que em 2060, só nos alimentaríamos se nos comêssemos uns aos outros… hei-nos aqui no início do século XXII em plena forma física, apesar dos meus já vistosos 98 anos (9,8 galácticos). Nas escassas memórias que possuo, lembro as preocupações vigentes na era dos meus netos sobre as alterações climáticas. No norte da Europa já não faz tanto frio como no século passado, e por exemplo, a cor clara do cabelo passou a ser uma adaptação desnecessária. O então aquecimento global do inicio do século XXI, fez com que a temperatura aumentasse 4 graus, e as populações costeiras da Europa viram-se obrigadas a emigrar principalmente para a Sibéria e Escandinávia, provocando assim uma mistura de genes invulgares, com consequentes alterações genéticas nas populações. Dizem quem em meados de 2040, o aumento da temperatura foi tal, que o gelo das regiões polares derreteu quase por completo, despejando enormes quantidades geladas de água no Atlântico norte, e que ainda a maioria dos países asiáticos actualmente, tentam recuperar das inundações. Tal fenómeno que levou ao desaparecimento de 60% das praias, fez com que se desse um decréscimo brutal no turismo. A grande metrópole, Nova Iorque criada pelos holandeses, é agora “Nova Amesterdão”, (fazendo jus ao nome original), devido ao aumento do nível do mar. Segundo os meus antepassados, a zona vinhateira do douro, tinha sido no passado por excelência, um local de produção de vinho de qualidade, o que me espanta actualmente, ver no seu lugar, plantações de cajueiros, pois o calor é tal que pouco organismo sobreviveria ali. A histórica perícia dos holandeses na construção de diques, para evitar inundações e ganhar terreno ao mar, ainda hoje é utilizada, em grandes obras de engenharia, como no Bangladesh, nos deltas do Nilo e do Ebron, Miami, ilhas das Caraíbas e noutros tantos países que temem afundar-se. A outrora romântica Veneza, é hoje mais uma vulgar cidade com canais em vez de estradas. Pelo mundo inteiro existem muitas “Venezas”, Manahatam por exemplo, é lugar de corridas de barcos Mach 5, onde outrora proliferavam umas coisas com rodas amarelas!

Deixando um pouco de lado o tema, já li também, que antigamente, as pessoas casavam, supostamente para a vida toda. Actualmente as exigências da sociedade e do indivíduo são outras, e também as leis e os contratos que as regula. Hoje, o casamento é renovável de 5 em 5 anos, flexível e muito definido, e já ninguém se sente frustrado, como há cem anos, se a relação falhar. O conceito de família já não existe, e a pratica sexual mudou vertiginosamente. Como se sabe, em 2030 a pandemia da Sida atingiu números alarmantes, As politicas de saúde mundiais não conseguiram inverter a sua taxa de crescimento, nesse ano, mais de 5 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus. Então, numa sociedade que temia os contactos físicos, apareceu a tecnologia de estimulação corporal. As empresas de tecnologia sexual cresceram, e hoje em dia, colocamos um micro-chip na pele que transmite ao cérebro impulsos eléctricos que chegam a todo o nosso corpo, estimulando assim os nossos pontos erógenos, provocando assim múltiplas sensações de prazer. Também diziam os meus antepassados que um droga qualquer, heroína creio, equivalia a mil orgasmos – rio-me com tal facto, porque hoje em dia, o mais parecido que temos com isso, são as revistas Playbot, que ao as desfolharmos, descarregam-nos uns meros oitocentos orgasmos em cima. Creio também que os meus antepassados liam livros, e iam ao cinema, sinceramente de todas as artes que admiravam, sobrou apenas a musica, e mesmo a musica, em todo o espaço tem apenas três representantes, sendo a mais famosa a banda All my Circuits.

Por vezes reflicto sobre os erros dos meus antepassados, e o quanto os mesmos custaram à Humanidade, lamento que tarde entenderam que se nada se arrisca, arrisca-se tudo.

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