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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Mundo é pequeno



Se cada um de nos tiver cinquenta amigos. Se cada um desses amigos tiver outros cinquenta. Podemos contar com duas mil e quinhentas pessoas que nos são próximas em dois contactos. Com três contactos aí estão cento e vinte e cinco mil. Mais outro contacto e no quarto contacto seis milhões duzentos e cinquenta mil. Com cinco contactos temos acesso a trezentos milhões. Mas, com meia dúzia chegamos aí a quinze mil milhões! Muitos mais que todos os seres humanos que hoje existem. Claro, que como haveria entre os contactos, sucessivos amigos comuns, não atingiriamos aqueles quinze mil milhões de pessoas. Mas, mesmo assim, com seis contactos eis-nos em interação seja com quem for na humanidade. Já se fizeram diversas experiencias sobre este assunto, para medir quantos contactos seriam necessários, para, em média, duas pessoas que se desconhecem em absoluto, se encontrarem a partir da cadeia do amigo, do amigo, do amigo… O resultado foi de cinco contactos e meio. Ou seja, digo a um amigo que gostaria de falar com um determinado pastor, o senhor fulano tal, do Tibete. Depois de ele dizer a outro dos seus amigos, seis contactos mais à frente, eis que sou levado ao tal pastor no teto do Mundo. O nosso Mundo que também é o Mundo de todos os outros, é então o da família, dos amigos próximos que por sua vez se movimentam na sua família e bolsa de amigos. Essas experiencias mostraram também, que por norma um novo trabalho ou negócio vem através de um conhecido. É curioso que não seja, por regra, por um familiar ou um amigo íntimo. É interessante que seja uma pessoa num segundo contacto. Este facto tem sito estudado não só pelo seu cariz matemático mas também económico. O estudo económico e matemático desta rede, incluindo a web, são tidos como inevitáveis de terem que ser tal e qual são. As propriedades destas redes matemáticas, podem servir de modelo à nossa família, à nossa rede de amigos, de vizinhança, sendo muitas vezes coincidentes com experiencias e pessoas que a vida nos trás e apresenta. Claro que nunca saberemos se toda a nossa rede envolvente é baseada somente num modelo matemático ou se é assim na realidade porque somos nós a faze-la. Seja como for, qualquer um de nós, está, no máximo a uma distância de seis contactos de qualquer pessoa no planeta. Em particular, desse Deus, feito pequenino por nossa causa que, em 25 de dezembro nasceu. Se houver algo a pedir-lhe, basta dizer ao amigo, do amigo, do amigo…

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O carácter dos olhos

Os Homens são tão pouco governados pela razão nos seus sentimentos e opiniões que julgam sempre os objectos mais por comparação do que segundo o seu preço e valor intrínsecos. Aqueçamos uma das mãos e arrefeçamos a outra; a mesma água parecerá ao mesmo tempo quente e fria, conforme a disposição dos diversos orgãos. Um pequeno grau de uma qualidade, sucedendo a um grau maior, produz a mesma sensação que se fosse inferior ao que efectivamente é. Uma dor moderada que se segue a uma dor violenta, já não parece dor, ou antes torna-se um prazer; assim como, por outro lado, uma dor violenta, que se segue a uma dor moderada, causa mágoa e mal-estar dobrados. Ninguém pode duvidar que assim seja com relação às nossas paixões e sensações. A questão está pois em saber como, a partir da mesma impressão e ideia, podemos formar juízos tão diferentes sobre o mesmo objecto, num momento admirar-lhe a massa e noutro desprezar a sua pequenez. Julgo que se pode aceitar de uma forma geral que tudo o que se apresenta aos nossos sentidos, qualquer imagem que se forme na imaginação, é sempre acompanhada por uma certa emoção ou movimento da alma que lhe seja rorporcional. Ora, uma grande emoção, que sucede a uma pequena torna-se ainda maior e eleva-se acima da suas proporçoes comuns. Um objecto pequeno faz parecer ainda maior um objecto grande, e vice-versa.O efeito conduz a nossa vista para a causa habitual, um certo grau de emoção por uma certa grandeza observada., mas não consideramos que esta comparação possa mudar a emoção sem mudar nada no que a despoletou.  Quando um criminoso reflecte no castigo que merece, a ideia que tem desse castigo aumenta por comparação com o seu bem-estar e contentamento presentes, o que o leva, de certo modo, a buscar o mal-estar para evitar um contraste tão desagradável. Este raciocínio explica a meu ver, a origem da maldade ou do desejo que assumimos nas opiniões que fazemos e julgamentos que emitimos sempre do alto do nosso pedestal irreprovável. A rectidão e o bom senso, são constantemente renegados para segundo plano em detrimento de uma pré-emoção confortável que não despegamos por capricho e empáfia.
Nada pode desenganar-nos, nem mesmo os nossos sentidos,que, longe de corrigirem um juízo errado, são muitas vezes pervertidos por ele e parecem apoiar esses erros.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mitos

Os mitos não têm todos a mesma natureza. Há o mito sex-symbol, o mito cantor, o mito cinéfilo, a princesa-mito, o futebolista mito etc. Cada género, estilo, arte ou profissão erige o seu mito, podendo haver acumulação. Os mitos Marylin e Katherine Hepburn são simultaneamente sex-symbols e mitos da sétima arte. Se Diana é um mito, não o será tanto pelos seus dotes físicos mas antes pelos devaneios que a sua condição e as suas aventuras provocam: é o mito tradicional da “princesa encerrada numa torre” raptada pelo filho do caseiro patrão. Este é um mito libertário e não sexual. Já o de Marilyn é sexual (“ e deus criou a mulher”), como a Amália é o da rapariga do povo que foi uma grande cantora de fado. O que faz um mito é a raridade da personagem ou da situação, a excepção à regra vulgar, a genuidade do caso. Todos os mitos são heróis e vice-versa. Quanto mais excepcional é a personagem maior é o mito. Diana é um grande mito porque é uma grande excepção entre as princesas, assim como Amália é singular entre as fadistas. O mito implica a fraqueza dos demais. A sua força reside tanto nos méritos próprios como na mediocridade do mundo dos fãs. Se todos os futebolistas marcassem muitos golos coitado do Ronaldo. A raridade faz o mito. Marilyn era uma mulher espantosa, fora de série, porque o cinema era um bem raro, de elite, para o gozo do qual tinha um pindérico de se deslocar ao teatro da vila, e o espectáculo durava apenas três horas. Não se viam mulheres despidas senão no cinema e o sexo sem compromissos de casamento era um bem raríssimo e invejável. Marylin também gozou de outra excreção, porque casou com um intelectual quando era “regra” as da sua classe se juntarem ora com um artista ora com um banqueiro. Outras tantas mulheres, naquela época e agora tornam-se mitos pelas razões contrárias. Casar com empresários, políticos, famosos em geral, que o são sem serem excepcionais, torna as uniões simplesmente actos vulgares, de pessoas vulgares, com vidas conhecidas pelas façanhas medíocres e paupérrimas. A vulgaridade é inimiga do mito. Tal cantor de rock é um mito porque se suicidou, tal outro é-o menos porque ainda canta. A morte eterniza, mesmo que o falecido seja vulgar. O mito “James Dean”, é universal, é uma paixão rara, é um mito entre os mitos, porque além da sua genialidade imatura, fez tudo que pôde para morrer. Mitos sempre os haverão, mas já não serão o que foram. Hoje as situações excepcionais estão à mercê de um clic e de um zap. Nem é preciso ir um pacóvio à vila para se deleitar com a fotografia da personagem mítica, antes pelo contrário: para ter o que quiser do self-service dos mitos, não deve sair de casa, não se deve levantar do sofá, apenas tem de iluminar o ecrã do televisor privado e percorrer os imensos escaparates da Web pressionado os botões do controlo remoto. E assim morrem os sex-symbols, a fartura matou o mito. Mas há um fenómeno estranho e de difícil explicação: com o livre acesso e a larga circulação dos mitos, as pessoas cansaram-se das excepções e preferem a vulgaridade, o que até aí era o anti-mito. Os programas televisivos mais vistos são os que mais rasqueirice apresentam: gente pobre de espírito, descontente e estúpida. Zé Marias comuns que podemos encontrar na rua, nem feios nem bonitos, a puxar para o excepcionalmente vulgar. A excepção que engendrava o mito passou a ser coisa de velhos. Talvez os sex-symbols do futuro sejam os castos, os santos, os que sendo excepcionais não querem entrar numa dessas. Até poderíamos estabelecer uma lei sociológica para os mitos: quanto mais acesso a bens raros e mais democraticidade das opções houver, menos a heroicidade se venera, menos a excepção se premeia, menos a qualidade se procura e, portanto, menos é a duração dos mitos. No mundo global em que vivemos, e com cada vez mais acesso de muitos às mesmas condições, nota-se que o surgimento de alguém demasiadamente muito acima do “ ser bom”, é cada vez mais raro. A livre circulação de pessoas e informação, expande enormes doses de conhecimento que até há alguns anos atrás estava confinado apenas aos eruditos. O acesso a toda a informação possível através da Web, alarga as hipóteses de haver cada vez mais pessoas excepcionalmente informadas e dotadas de conhecimento, o que implica uma distribuição equitativa do saber, tornando os que “sabiam muito”, em vulgares sabedores. As condições de vida, de saúde e sociais em geral, deitam por terra a veneração de um mito, seja em que área for. Se há 50 anos atrás, Marilyn Monroe e mais recentemente, até mesmo a Madonna, se destacavam pelo seu carácter vincadamente libertino, fora do normal, hoje, são personalidades vulgares, que se vêem em qualquer esquina. Aquilo que deram ao mundo, não foi uma arte ou uma obra, foi a excepção de se demarcarem da maioria. Os mitos “antigos”, quase todos se demarcavam pela diferença de ser diferente, e não por serem diferentes por ser bons. Os mitos de hoje, estão em extinção. Cada vez são menos valorizados, porque o que fazem está ao alcance de muitos. Existe a tendência de se valorizar o banal, o fraco. No cinema, na música, na literatura, na arte em geral, nota-se uma qualidade mediana, com raras figuras a destacarem-se da maioria. O que muitos fazem, dizem e criam, está ao alcance de qualquer um de nós, não é nada de inatingível, o que provoca a queda e a veneração ao mito, porque ele já não existe. Antigamente, haviam muitos, mitos e santos, porque poucos conheciam, e não sabiam explicar e interpretar a sua superioridade. Hoje, só não sabe quem não quer, e a qualidade de ser muito bom, está restringida a poucos, e mesmo esses, muitas vezes preferem o anonimato, porque para se ser popular, é indispensável ser medíocre.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Littera

O Nobel de Saramago há 11 anos atrás não terá acrescentado nada à literatura portuguesa (ou literaturas de língua portuguesa); ou ainda, e talvez melhor, e para evitar equívocos, às literaturas de língua matriz portuguesa, senão aquilo que hoje, em tempos esquizofrénicos de mercado, chamam de “visibilidade”. A visibilidade externa da literatura portuguesa, se é uma boa noticia para os mercadores, pode no entanto ter méritos inespecíficos, designadamente o de chamar à atenção para géneros e para autores não comerciais, que normalmente são aqueles que fazem uma “corrente literária”. A acrescer ao fenómeno Pessoa, existem algumas iniciativas do Ministério da Cultura em feiras internacionais (Frankfurt, Paris e Genebra), que tem ajudado a levar a literatura portuguesa para a montra internacional, tirando-a da prateleira obscura, onde, durante anos estiveram esquecidas. E é de crer, no futuro próximo, se todo esse capital de prestigio não for desbaratado, que elas aí permaneçam, e que, além de Saramago e Lobo Antunes, possam continuar a repetir-se as traduções de poetas ou de ficcionistas tão pouco mundanos como Maria Velho da Costa ou Maria Gabriela Lhansol. Para lá do marketing, e à margem dele, a literatura portuguesa, nas suas diferentes vertentes, parece estar senão de excelente, de boa saúde. No século XX, a sombra de Pessoa, escondeu na obscuridade escritores absolutamente grandes como Mário de Sá-Carneiro, Camilo Pessanha, Vitorino Nemésio, Ruy Belo, Eugénio de Andrade, Ramos Rosa e outros tantos que poderia enumerar. O que aí vem já é mais problemático: estamos ainda muito perto dela, e ela está ainda muito perto de nós, para podermos avaliar da mais recente poesia portuguesa, daquela que surgiu na última década. Mas, evidentemente que com todas as recomendáveis reservas, o panorama não parece, para já, excessivamente animador. Salvo se calhar o nome, precocemente desaparecido de Daniel Faria. E o mesmo se diga das poesias do Brasil e dos países lusófonos de África. Dado o desconhecimento que em Portugal se tem dessas “literaturas”, só raros nomes conseguem romper como, no caso do Brasil, os de Drummond, Bandeira ou Manuel Barros, ou, no caso dos países de África, José Craveirinha, Rui Knopfli e Carsino Fontes. Ao contrário do que acontece com a poesia, a ficção portuguesa contem um inusual lote de escritores que superam quaisquer expectativas: desde Mafalda Ivo Cruz a Ana Teresa Pereira ao magnifico José Luís Peixoto, que fazem parte de uma jovem geração de escritores que parece ir ao arrepio da decantada menoridade do romance português em relação à poesia, e que nestas ultimas décadas, além de Saramago, Lobo Antunes, Cardoso Pires e Agustina, não terá tido muitos mais casos. Já a ficção da África lusófona, o futuro (o que quer que isso seja) passa hoje certamente por nomes como os de Mia Couto, Pepetela e Agualusa. Se noutras artes, cinema, música, pintura, etc, existem correntes e géneros artísticos que são feitos propositadamente para serem facilmente consumidos, na literatura acontece o mesmo. Pessoalmente trocaria a oferta das Fnac´s e Bertrand´s pelos antigos alfarrabistas. Nas grandes livrarias, somos induzidos a comprar, a vasculhar as obras que as mais produtivas editoras querem vender. Se a oferta é imensa, a fraca qualidade é proporcional. Provavelmente teremos alguma dificuldade em comprar um livro de Bocage, mas com toda a certeza, que as verbosidades que o Paulo Coelho escrevinha são-nos enfiadas pela goela abaixo. Como num supermercado acontece, na livraria da mesma forma, as promoções, e os produtos com mais saída são-nos colocados desde a entrada até á mais longínqua prateleira. Não é de estranhar que os mais reconhecidos escritores portugueses da actualidade sejam mais lidos além fronteiras que cá dentro. A literatura kitsch, que é representada por Nicholas Sparks, Margarida Rebelo Pinto, Susana Tamaro, Paulo Coelho, e outros mais, são a prova de que vende mais o fraco, habilmente disfarçado entre capas apelativas, do que a qualidade admirada “lá fora”, que as editoras não promovem nem arriscam elevar. Estes escritores são responsáveis pelo abate de inúmeras árvores, que suportam os quilómetros de baboseiras que escrevem. A floresta de livros light que habitam nas livrarias são uma autêntica praga para aqueles que tentam emergir no mundo das letras. Como em tudo, ou se tem dinheiro para apostar por conta própria, ou caso contrario, o melhor é desistir. Muitas vezes fala-se da falta de valor que damos ao que é nosso, e muitas vezes também, como neste caso da literatura, não nos dão a conhecer outras opções e correntes para que possamos optar. O acesso às letras nos mercados, restringe-se aos popularuchos livros de fácil consumo. A visibilidade do Nobel Saramago, catapultou a literatura portuguesa além fronteiras, embora, nunca foi, nem é aproveitada de forma a promover a boa qualidade. Actualmente, a língua portuguesa no mundo está a vender como nunca, pese embora não represente o que de melhor se escreve, mas dá lucro. A juntar à falta de aposta em novos escritores, junta-se o preço exorbitante dum livro. Desde o mais resumido romance, ao maior clássico mundial, os preços desanimam qualquer crente. Tardiamente a literatura igualou a fraca qualidade da TV, do cinema e da música “pimba”, mas agora que lá chegou, não sai de lá mais. O que “se vende mais agora”, até que nem é caro, tem uma capa gira, o escritor é piegas e está no top dos mais lidos…são estas características que empurram quem tem qualidade para a cave, dando lugar a sumptuosos livros, com uma grande hipótese de se tornarem óptimos substitutos da lenha.

domingo, 29 de março de 2009

A I guerra mundial, além de virar o mapa europeu do avesso, provocou também um importante incentivo na luta pela justa emancipação feminina. Apesar de anteriormente, já terem existido no mundo outras guerras fratricidas, esta teve a particularidade de ser marcada pelos inúmeros avanços tecnológicos e mecânicos, até então substituídos por outros primitivos. Sendo os homens mobilizados para a frente de batalha, e sendo uma guerra de enormes proporções e exigências bélicas, fez com que a mão-de-obra necessária para “alimentar” as maquinas de guerra, tivessem-se apoiado no trabalho feminino. Se os homens não podiam combater e construir as suas própria armas em simultâneo, coube às mulheres trabalharem nas fábricas de candeeiros, que os transformaram em capacetes, a transformarem guarda-chuvas em canos Uzi, ou edredões em pára-quedas. Apesar do importante papel feminino no mercado de trabalho dessa época, não foi de todo precedido de continuidade do mesmo. A sociedade era dos homens, feita pelos homens a pensar os homens, como tal, o simples gesto de marcar a cruz no boletim de voto, estava vetado á mulher. Em Portugal, em 1931, ano em que as primeiras mulheres puderam votar, só lhes era permitido, se fossem viúvas, divorciadas ou com estudos acima de média. O que revela que, as casadas ou solteiras eram dependentes dum pai ou marido, logo, a sua opinião, o seu voto era representado pelo líder do lar, fazendo ver assim que, as mulheres eram um apêndice do chefe de família.

Durante as décadas seguintes, uma miríade de movimentos feministas reclamou com justiça a justa igualdade de direitos, porem, sempre adiada por uma sociedade fechada em torno de um líder másculo. Surge entretanto o maior conflito radical do séc. XX – o Maio de 68, que combate a então inapta realidade da altura aos retrógrados valores sexuais, de liberdade do pensamento, e dos preconceitos em relação ao género feminino.

Com o ocidente a fervilhar de novas ideias e conceitos, com o anarquismo Hippie na moda, as mulheres, aos poucos foram alcançando pequenas vitórias numa guerra desigual. Comummente confunde-se movimento feminista, com direitos da mulher. O feminismo, é uma ala radical que nutre ódio pelos homens, chegando mesmo a classificá-los como desnecessários, logo, não será essa a ideia representativa das mulheres que lutavam por uma figura feminina plena de direitos, com essência e inteligência para não se submeter a uma vida meramente matriarcal.

Luta após luta, só com o conquistado 25 de Abril, é que em Portugal as mulheres tiverem o livre direito de participar nos sufrágios universais.

Em pleno séc. XXI, e apesar de já existir uma muito maior aproximação em tudo dos dois géneros, ainda se assiste a diferenças gritantes entre ambos. Apesar das mulheres, de uma forma global, já possuírem uma consciência da plenitude das suas capacidades, a verdade é que parte do seu devido poder continua a ser cortado, os seus voos continuam a ser limitados desde o berço, induzindo-as sem que dêem por tal, a assumir determinados papeis e comportamentos diários, que elas tomam como naturais e até desejáveis. Actualmente, principalmente nas sociedades ocidentais, já não se cultiva a ideia da mulher submissa, apenas servil das tarefas domésticas. E ainda bem. Mas com a massiva entrada das mulheres no mercado de trabalho, impõe-se um problema, a meu ver pouco reflectido. A nossa população cada vez mais envelhecida, com a taxa de natalidade inferior á da mortalidade, representa um problema grave na renovação das gerações. Ora, se é justo os direitos femininos, é necessário também que nasçam mais crianças, mas tendo a mulher tanto tempo ocupado com o trabalho laboral e doméstico, onde vai buscar tempo para criar um, dois ou vários filhos? Certamente será uma tarefa Hercúlea. Mas não cabe às mulheres ter a responsabilidade de inventar tempo, cabe a quem manda claro está, a incentivar politicas de natalidade e essencialmente, incentivar as mulheres a serem mães. Nota-se nos países nórdicos o sempre avançado rol de ideias sociais, nomeadamente neste caso. Ter um filho actualmente, é visto de uma forma um pouco herética até. “ Fica caro”, “não temos tempo”…afirmações do género, um pouco custosas de aceitar, mas lógicas. Sem novas crianças, que serão adultos daqui a 20 anos, será insustentável, sustentar uma sociedade envelhecida. Estará mais que na hora, de o nosso hábil governo deixar de lado TGV´s e Otas, e dedicar-se ao que interessa.

Os abonos são irrisórios, o tempo de maternidade escasso, as creches caras, e a lista continuaria. Sem apoio financeiro e social, é impraticável exigir a uma mulher que faça nascer e que crie vários filhos ao mesmo tempo que trabalha.

Em tempos o poeta espanhol Luís Ortega dizia: “ a mulher é o futuro do homem” – mas logo um coro de feministas radicais respondeu que não queriam ser o futuro de ninguém. Pois, tal afirmação assume uma importância cada vez maior a longo prazo. Neste século em que as mulheres já não fazem perguntas ao espelho mágico, urge incentiva-las, de forma a aceitarem serem a base do Homem, no apoio á continuidade da Humanidade.

quarta-feira, 25 de março de 2009

E=mc²

Um dia destes ao ler uma notícia no jornal, um indivíduo, vitima de inúmeros abusos em criança, dizia: “ se pudesse viajar ao passado teria morto os meus pais”…estúpido, se tivesse morto os pais não tinha nascido. Mas a ideia de viajar no tempo foi o que me chamou à atenção, e já a muitos outros também.

Não seria bom, por uma vez que fosse estar no local exacto à hora certa? Bastava para isso que existisse uma máquina capaz de viajar a uma velocidade maior que a da luz. Poderíamos ir ver a bolsa ao futuro e voltar ao presente para comprar as acções que estariam em alta no futuro, ou poderíamos ir conhecer Aristóteles ao passado. Certamente ideias não faltariam. Viajar no tempo esteve confinado durante séculos à fantasia e à ficção, mas nos dias de hoje, já não parece uma hipótese assim tão absurda. No início do séc. XX, apareceu Einstein. Em linguagem corrente, as suas equações demonstraram que o tempo era parecido com um rio. E, nesse caso, quanto mais massa (água) ou energia se possui, mais varia a corrente à nossa volta. Não é possível, um corpo mover-se no espaço, sem que isso leve um tempo. Mas se a velocidade for maior que a da luz, o tempo demoraria mais tempo a passar, e quando parássemos estaríamos mais novos. Na prática, para Einstein isto seria impossível, porque o objecto que tivesse tal velocidade, teria de ter uma massa infinita. Simplificando um pouco, se “pegarmos” de novo no rio, e imaginarmos um redemoinho, o que acontece, é que nesse ponto a água volta atrás, e quanto maior for a velocidade do rio, maior será a massa do redemoinho. Em termos mais leigos, o mesmo sucederia com o tempo se pudéssemos viajar à velocidade da luz. Tudo faz sentido se pensarmos que mesmo parados, estamos sempre em movimento, estamos agora sentados (parados), mas estamos a mover-nos no tempo – para o futuro. Adormecemos hoje à noite, dormimos, imóveis, mas ao mesmo tempo que dormíamos, “movemo-nos” para o futuro, que é, acordar de manhã. Este movimento é válido e vemo-lo no dia-a-dia. Portanto, no espaço-tempo estamos sempre em movimento, e a nossa ideia de estar parado significa apenas que encontramos uma forma de não nos deslocarmos nas direcções espaciais mas apenas no tempo. Sabe-se que a maior velocidade possível para algo material, no nosso universo, é a velocidade da luz. Viajar a essa velocidade, iria fazer com que entre os intervalos do tempo, se criasse um campo de tempo zero, ou então, a velocidade seria tal, que o tempo não acompanharia a deslocação da mesma, logo, poderíamos regredir ou avançar no tempo.

Parece tudo um pouco ambíguo, mas o alemão sabia o que dizia. As teorias da relatividade de Einstein, vieram de vez, incendiar a imaginação de muitos, como H.G.Wells por exemplo, mas no meio deste manancial de equações, teorias, leis e até divagações, veio desmistificar muita coisa, e dar um relevância maior à ciência como base do entendimento das simples coisas que nos rodeiam. Einstein tinha razão quando dizia que quase tudo é relativo, dependendo de quem observa. Imaginemos que no Algarve existe um holofote, potente o suficiente, para quando ligado pudesse ser visto aqui no Norte. Ligávamos o holofote á meia-noite, quem estivesse em Lisboa, veria a luz ligada primeiro que eu, no entanto foi ligada à mesma hora para os dois. Se a luz é constante, significa que pode-se aceitar que os lisboetas e os nortenhos têm razão nas suas observações, apesar de ambas serem diferente. O que difere, é o factor espacial, como no norte estamos mais afastados, a observação é mais tardia. Desde então sabemos que podem existir respostas diferentes e ambas correctas para a mesma questão, logo é geral estarmos rodeados de muita relatividade. Apesar de termos sido iluminados com uma mente como a deste Nobel, actualmente, um cientista português, teve a saudável ousadia de pôr em causa certas leis de Einstein. Chama-se João Magueijo e pasmou muita gente, principalmente os crânios académicos com esta simples pergunta – “ se viajarmos no nosso carro, a 100 km/h, e acendermos as luzes, a velocidade da luz é apenas a velocidade da luz (300.000 km/s), ou é a velocidade do carro mais a velocidade da luz? Ainda não houve uma resposta lógica que pudesse ser confirmada, mas sinto algum orgulho patriótico, por tal questão puder vir a mudar os anais da física e da ciência. Afinal tal feito, pode-se dever a um ilustre desconhecido para a maioria dos portugueses. Provavelmente nem o próprio tem uma resposta muito linear, mas já provocou enorme aparato entre os mais promissores catedráticos, e estou convicto que Einstein a esta hora, também já deve ter dado infinitas cambalhotas na urna.

domingo, 22 de março de 2009

O visual dos olhos

O iluminista David Hume dizia: “a beleza das coisas está no espírito de quem as contempla, e no de quem as cria.” Pessoalmente não poderia concordar mais. Se na época em que viveu a beleza estaria associada a mulheres voluptuosas e homens com bigodes farfalhudos, hoje, essas duas características são antagónicas do conceito da beleza actual. Afirmamos então, que independentemente da época, país ou cultura, a beleza foi e é um conceito subjectivo. Aceitando esta premissa, será que a imagem que temos de nós próprios corresponde à realidade daquilo que somos? Certamente que não. A imagem que fazemos de nós próprios representa mais do que a forma como nos vemos. Dela fazem parte o nível de confiança que sentimos, as nossas capacidades de analisar, reflectir, escolher e decidir a estabilidade dos nossos valores, dignidade e capacidade de adequação aos desafios da vida. Criamos a nossa imagem, ao longo do percurso da nossa vida. Se não sofrermos de nenhuma patologia, o mais certo é vermo-nos ao espelho com benevolência. Ao invés por exemplo, das pessoas anorécticas, que apesar da balança indicar pouco peso, vêem-se sempre com peso a mais. As pessoas ditas “normais”, não se vêem com barriga, com certas rugas ou outros sinais de envelhecimento. A falta de fiabilidade do nosso auto-conhecimento, indicar-nos-á que provavelmente ainda não amadurecemos nem estabilizamos a nossa auto-estima. Sócrates recomendava – conhece-te a ti próprio; aconselhava-nos a fazer uma viagem critica pelo nosso interior, de forma a conhecermos os nossos comportamentos e atitudes, e em simultâneo a sabermos aproveitar a opinião dos outros como fonte de informação sobre nós mesmos. Para construirmos a nossa imagem utilizamos informações. Quanto mais informação tivermos, mais próxima da realidade será a percepção que temos de nós mesmos. A nossa capacidade de auto-análise, que vai evoluindo com o nosso crescimento, muitas vezes não é acompanhada pelo nosso auto-conhecimento, porque se ao longo dos anos a nossa imagem muda, interiormente mudamos também, por isso Sócrates “mando-nos” conhecer a nós próprios, para que possamos diferenciar o que somos, daquilo que achamos que somos.

Se segunda-feira nos acontecer algo desagradável, provavelmente teremos uma imagem de nos próprios negativa e deficitária. Na sexta-feira seguinte, se nos acontecesse algo de extraordinário, sentíamo-nos com o ego em alta, capazes de enfrentar tudo e todos, com a nossa imagem colocada nos píncaros. A alternância tão gradual, deve-se ao facto de nos faltar equilíbrio interior, e frieza de análise das situações que a vida nos proporciona. Logo, a imagem que temos de nos, é influenciada pelo momento que atravessamos, e também pela falta de conhecimento que temos de nós mesmos. Então, quando apelidamos algo ou alguém de belo, estamos a ser subjectivos. Porque se a imagem que temos de nós é errada, que base temos para definir a imagem dos outros? Pois, toda a gente dirá que facilmente distingue o belo do feio, sem dúvida que sim, e sem dúvida que o que para mim é feio, para outros pode não ser.

Penso que há uma discrepância entre bonito e belo, consideraria bonito, mais como agradável e belo, uma definição mais universal. Penso que a maioria das pessoas são bonitas, uma minoria muito feias e outra minoria extremamente belas. A maioria deve concordar que o Príncipe Carlos é bem provido de fealdade, assim como a Mónica Belluci é dotada de uma rara beleza. Normalmente nestas coisas a maioria tem razão. Certamente que, em todos nós existirão alguns conceitos comuns, que nos permitem discordar de algo muito belo ou muito feio. Toda a gente tem uma característica que admiramos. Mas porque na maioria das vezes somos maus avaliadores, descuramos um cabelo bonito porque não gostamos do rosto, ou enfatizamos um rosto banal porque gostamos do corpo. Dizem muitos que a verdadeira beleza está no interior, talvez quem o diga seja feio. Os nossos olhos enganam-nos muitas vezes, e o nosso interior nem sempre está preparado para absorver e meditar sob a informação que eles nos transmitem. Porventura, saibamos decifrar tudo aquilo de que somos compostos, interior e exteriormente, para que à posteriori cheguemos a conclusões o menos erradas possíveis. E eduquemos a nossa cabeça, de forma a dar menos importância ao que vemos, porque quer queiramos quer não, os nossos olhos não vêem o que temos cá dentro.