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domingo, 29 de março de 2009

A I guerra mundial, além de virar o mapa europeu do avesso, provocou também um importante incentivo na luta pela justa emancipação feminina. Apesar de anteriormente, já terem existido no mundo outras guerras fratricidas, esta teve a particularidade de ser marcada pelos inúmeros avanços tecnológicos e mecânicos, até então substituídos por outros primitivos. Sendo os homens mobilizados para a frente de batalha, e sendo uma guerra de enormes proporções e exigências bélicas, fez com que a mão-de-obra necessária para “alimentar” as maquinas de guerra, tivessem-se apoiado no trabalho feminino. Se os homens não podiam combater e construir as suas própria armas em simultâneo, coube às mulheres trabalharem nas fábricas de candeeiros, que os transformaram em capacetes, a transformarem guarda-chuvas em canos Uzi, ou edredões em pára-quedas. Apesar do importante papel feminino no mercado de trabalho dessa época, não foi de todo precedido de continuidade do mesmo. A sociedade era dos homens, feita pelos homens a pensar os homens, como tal, o simples gesto de marcar a cruz no boletim de voto, estava vetado á mulher. Em Portugal, em 1931, ano em que as primeiras mulheres puderam votar, só lhes era permitido, se fossem viúvas, divorciadas ou com estudos acima de média. O que revela que, as casadas ou solteiras eram dependentes dum pai ou marido, logo, a sua opinião, o seu voto era representado pelo líder do lar, fazendo ver assim que, as mulheres eram um apêndice do chefe de família.

Durante as décadas seguintes, uma miríade de movimentos feministas reclamou com justiça a justa igualdade de direitos, porem, sempre adiada por uma sociedade fechada em torno de um líder másculo. Surge entretanto o maior conflito radical do séc. XX – o Maio de 68, que combate a então inapta realidade da altura aos retrógrados valores sexuais, de liberdade do pensamento, e dos preconceitos em relação ao género feminino.

Com o ocidente a fervilhar de novas ideias e conceitos, com o anarquismo Hippie na moda, as mulheres, aos poucos foram alcançando pequenas vitórias numa guerra desigual. Comummente confunde-se movimento feminista, com direitos da mulher. O feminismo, é uma ala radical que nutre ódio pelos homens, chegando mesmo a classificá-los como desnecessários, logo, não será essa a ideia representativa das mulheres que lutavam por uma figura feminina plena de direitos, com essência e inteligência para não se submeter a uma vida meramente matriarcal.

Luta após luta, só com o conquistado 25 de Abril, é que em Portugal as mulheres tiverem o livre direito de participar nos sufrágios universais.

Em pleno séc. XXI, e apesar de já existir uma muito maior aproximação em tudo dos dois géneros, ainda se assiste a diferenças gritantes entre ambos. Apesar das mulheres, de uma forma global, já possuírem uma consciência da plenitude das suas capacidades, a verdade é que parte do seu devido poder continua a ser cortado, os seus voos continuam a ser limitados desde o berço, induzindo-as sem que dêem por tal, a assumir determinados papeis e comportamentos diários, que elas tomam como naturais e até desejáveis. Actualmente, principalmente nas sociedades ocidentais, já não se cultiva a ideia da mulher submissa, apenas servil das tarefas domésticas. E ainda bem. Mas com a massiva entrada das mulheres no mercado de trabalho, impõe-se um problema, a meu ver pouco reflectido. A nossa população cada vez mais envelhecida, com a taxa de natalidade inferior á da mortalidade, representa um problema grave na renovação das gerações. Ora, se é justo os direitos femininos, é necessário também que nasçam mais crianças, mas tendo a mulher tanto tempo ocupado com o trabalho laboral e doméstico, onde vai buscar tempo para criar um, dois ou vários filhos? Certamente será uma tarefa Hercúlea. Mas não cabe às mulheres ter a responsabilidade de inventar tempo, cabe a quem manda claro está, a incentivar politicas de natalidade e essencialmente, incentivar as mulheres a serem mães. Nota-se nos países nórdicos o sempre avançado rol de ideias sociais, nomeadamente neste caso. Ter um filho actualmente, é visto de uma forma um pouco herética até. “ Fica caro”, “não temos tempo”…afirmações do género, um pouco custosas de aceitar, mas lógicas. Sem novas crianças, que serão adultos daqui a 20 anos, será insustentável, sustentar uma sociedade envelhecida. Estará mais que na hora, de o nosso hábil governo deixar de lado TGV´s e Otas, e dedicar-se ao que interessa.

Os abonos são irrisórios, o tempo de maternidade escasso, as creches caras, e a lista continuaria. Sem apoio financeiro e social, é impraticável exigir a uma mulher que faça nascer e que crie vários filhos ao mesmo tempo que trabalha.

Em tempos o poeta espanhol Luís Ortega dizia: “ a mulher é o futuro do homem” – mas logo um coro de feministas radicais respondeu que não queriam ser o futuro de ninguém. Pois, tal afirmação assume uma importância cada vez maior a longo prazo. Neste século em que as mulheres já não fazem perguntas ao espelho mágico, urge incentiva-las, de forma a aceitarem serem a base do Homem, no apoio á continuidade da Humanidade.

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