A I guerra mundial, além de virar o mapa europeu do avesso, provocou também um importante incentivo na luta pela justa emancipação feminina. Apesar de anteriormente, já terem existido no mundo outras guerras fratricidas, esta teve a particularidade de ser marcada pelos inúmeros avanços tecnológicos e mecânicos, até então substituídos por outros primitivos. Sendo os homens mobilizados para a frente de batalha, e sendo uma guerra de enormes proporções e exigências bélicas, fez com que a mão-de-obra necessária para “alimentar” as maquinas de guerra, tivessem-se apoiado no trabalho feminino. Se os homens não podiam combater e construir as suas própria armas em simultâneo, coube às mulheres trabalharem nas fábricas de candeeiros, que os transformaram em capacetes, a transformarem guarda-chuvas
Durante as décadas seguintes, uma miríade de movimentos feministas reclamou com justiça a justa igualdade de direitos, porem, sempre adiada por uma sociedade fechada em torno de um líder másculo. Surge entretanto o maior conflito radical do séc. XX – o Maio de 68, que combate a então inapta realidade da altura aos retrógrados valores sexuais, de liberdade do pensamento, e dos preconceitos em relação ao género feminino.
Com o ocidente a fervilhar de novas ideias e conceitos, com o anarquismo Hippie na moda, as mulheres, aos poucos foram alcançando pequenas vitórias numa guerra desigual. Comummente confunde-se movimento feminista, com direitos da mulher. O feminismo, é uma ala radical que nutre ódio pelos homens, chegando mesmo a classificá-los como desnecessários, logo, não será essa a ideia representativa das mulheres que lutavam por uma figura feminina plena de direitos, com essência e inteligência para não se submeter a uma vida meramente matriarcal.
Luta após luta, só com o conquistado 25 de Abril, é que em Portugal as mulheres tiverem o livre direito de participar nos sufrágios universais.
Em pleno séc. XXI, e apesar de já existir uma muito maior aproximação em tudo dos dois géneros, ainda se assiste a diferenças gritantes entre ambos. Apesar das mulheres, de uma forma global, já possuírem uma consciência da plenitude das suas capacidades, a verdade é que parte do seu devido poder continua a ser cortado, os seus voos continuam a ser limitados desde o berço, induzindo-as sem que dêem por tal, a assumir determinados papeis e comportamentos diários, que elas tomam como naturais e até desejáveis. Actualmente, principalmente nas sociedades ocidentais, já não se cultiva a ideia da mulher submissa, apenas servil das tarefas domésticas. E ainda bem. Mas com a massiva entrada das mulheres no mercado de trabalho, impõe-se um problema, a meu ver pouco reflectido. A nossa população cada vez mais envelhecida, com a taxa de natalidade inferior á da mortalidade, representa um problema grave na renovação das gerações. Ora, se é justo os direitos femininos, é necessário também que nasçam mais crianças, mas tendo a mulher tanto tempo ocupado com o trabalho laboral e doméstico, onde vai buscar tempo para criar um, dois ou vários filhos? Certamente será uma tarefa Hercúlea. Mas não cabe às mulheres ter a responsabilidade de inventar tempo, cabe a quem manda claro está, a incentivar politicas de natalidade e essencialmente, incentivar as mulheres a serem mães. Nota-se nos países nórdicos o sempre avançado rol de ideias sociais, nomeadamente neste caso. Ter um filho actualmente, é visto de uma forma um pouco herética até. “ Fica caro”, “não temos tempo”…afirmações do género, um pouco custosas de aceitar, mas lógicas. Sem novas crianças, que serão adultos daqui a 20 anos, será insustentável, sustentar uma sociedade envelhecida. Estará mais que na hora, de o nosso hábil governo deixar de lado TGV´s e Otas, e dedicar-se ao que interessa.
Os abonos são irrisórios, o tempo de maternidade escasso, as creches caras, e a lista continuaria. Sem apoio financeiro e social, é impraticável exigir a uma mulher que faça nascer e que crie vários filhos ao mesmo tempo que trabalha.
Em tempos o poeta espanhol Luís Ortega dizia: “ a mulher é o futuro do homem” – mas logo um coro de feministas radicais respondeu que não queriam ser o futuro de ninguém. Pois, tal afirmação assume uma importância cada vez maior a longo prazo. Neste século em que as mulheres já não fazem perguntas ao espelho mágico, urge incentiva-las, de forma a aceitarem serem a base do Homem, no apoio á continuidade da Humanidade.

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