Poucas instituições no mundo ao longo da história, são responsáveis por tantos crimes e acobertamentos dos mesmos como a Santa Igreja Católica. Tenho um prazer enorme em criticar a classe clerical, porque de todos os que influenciaram a história da Humanidade, revejo-lhes desde sempre, aqueles que possuem o maior fosso entre aquilo dizem e aquilo que fazem. São contraditórios, promíscuos, negligentes, cometem sucessivos erros anacrónicos e não aprendem com o passado. Fica por aqui a lista, visto eu ser meigo. Há mil anos atrás, surgiram os Cruzados, que montados nos seus cavalos alados “varriam” os pecadores da face da Terra com as suas espadas dilacerantes. Na idade Medieval, a Igreja resolve antecipar-se ao Hitler e forma as SS (Inquisição), que perseguem judeus, muçulmanos, ciganos e até as “bruxas”. Sem ter pesquisado dados concretos, tenho a certeza absoluta que a Igreja, ao longo dos tempos, matou mais pessoas, do que as duas grandes guerras juntas. Separando um pouco a crítica, vejo também que os padres, bispos e cardeais são homens, e como tal erram, mas que eu saiba, são os representantes terrenos de Deus, e consequentemente, não terá sido este tipo de actos que Ele (se existiu sequer) professou. Existe desde sempre uma tábua, com as dez coisas que não podemos fazer, se fizermos alguma delas, quando morrermos vamos para o inferno, horrendo e infinito até ao final dos dias. O castigo é enormemente pesado, mas… Ele ama-te.
Actualmente e desde que as democracias separaram a Igreja do Estado, que comummente se verifica alguns avanços ténues na forma de agir da Igreja. Não tendo eu nada a ver com qualquer tipo de prática religiosa, admiro e sempre admirarei o Papa João Paulo II. Um homem humilde, de mente aberta, que a meu ver só não foi mais por pressões internas, mas que do alto da sua humilde sabedoria, soube pedir desculpa a todos aqueles que a Igreja fez mal ao longo dos tempos. Após se ter findado a sua presença entre nós, sucede-lhe o eminentíssimo cardeal lá da RFA. Mesmo antes da sua eleição papal, a revista Time, já o tinha incluído na lista dos 100 homens mais influentes do mundo, com a sua eleição, deduzo que a sua influência tenha subido ainda mais. Desde então, poucas vezes ouvi ou li aquilo que apregoa, até que hoje li uma notícia que dizia: “Bento XVI de visita a África, reprova o uso do preservativo para resolver o problema da Sida. Apela ao absentismo”. Ora, obviamente que o uso do preservativo não resolve a problemática da Sida, mas não resolve em África nem em nenhuma parte do mundo. O preservativo é um método profilático, é óbvio que não resolve nem cura. E se em países desenvolvidos, é muitas vezes descurado, aconselhar o não uso do mesmo, num continente atolado de tantas desgraças sociais, penso que só irá agravar ainda mais o aparecimento de mais casos.
Este tipo de declarações, provavelmente surtiria pouco efeito em países desenvolvidos, porque as pessoas temem mais pela sua vida do que temem qualquer divindade. Mas pregar em África, ao não uso do preservativo…penso que será o mesmo que apagar fogos com gasolina. A maioria das pessoas, que vivem em condições desumanas, atoladas em desgraças, naturalmente que se socorrem do que têm à mão para dar um pouco de luz às suas vidas – a Religião. Mas quando o representante máximo, lhes diz que é pecado o uso do preservativo, tenho quase a certeza que não usarão mesmo. Considero uma atitude totalmente condenável amedrontar aquela gente desta forma.
São pessoas como nós, com a infelicidade de nascer onde nasceram, e já não bastam as guerras civis em que estão mergulhados, a miríade de doenças infindáveis, a falta de comida, a falta de educação, e tudo que daí advêm, e ainda tem de servir de palco às retrógradas ideias da Santa Igreja. Espero sinceramente, que este ou outro Papa, ou a igreja em geral, reconheça e mude esta ideia ridícula de uma vez. Sei que a Igreja consegue conviver perfeitamente com o rosário dos pecados perpetuados, porque infelizmente, os castigos terrenos não lhe são imputados. Apesar dos seus erros serem sempre pagos a peso humano, Ele… continua a amá-los.

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